Pó de Arroz
Pó de Arroz

O Nordeste brasileiro é uma região encantada. Não porque exista mágica naquelas terras, mas porque sua cultura tão rica e sua gente tão cheia de talento e fé transformam todo o entorno em um lugar que só pode ser explicado pela arte. E é assim que o Nordeste se autoexplica, por meio das suas manifestações artísticas, seu artesanato, suas danças e seus folclores. Foi com inspiração nessa cultura transbordante que Penha Maia e Mariana Fernandes, as designers à frente da marca Pó de Arroz, criaram a coleção Sertão Encantado. 

Depois de terem apostado em temporadas que rendiam homenagens à São Paulo, à Portugal e até ao Japão, as duas se voltaram ao interior do Brasil e, no ano em celebram os 10 anos da marca, produziram vestidos de noiva que carregam o DNA nordestino em cada costura, combinados a acessórios que ornamentam os penteados de casamento com materiais típicos e artesanais, em looks realmente autênticos.

Pó de Arroz
Pó de Arroz

Mulher rendeira

A renda foi definitivamente o carro-chefe da coleção, e não seria para menos: as rendas artesanais do Nordeste são um dos elementos mais valiosos de sua cultura, já fazem parte do seu patrimônio imaterial, e há gerações também é a fonte de sustento para muitas mulheres, as famosas rendeiras. A arte de produzir renda no Brasil chegou ao país no século XVII, no Ceará, vinda da Europa, mais especificamente trazida pelos colonos portugueses. Era uma atividade habitual de suas mulheres e, no Brasil, misturando-se ao estilo das costureiras locais, a renda ganhou um novo “ar”, e também fez o caminho de volta, até as terras lusitanas. 

Na coleção Sertão Encantado os vestido de noiva de renda – que são a maioria –, foram trabalhados de forma detalhada. As estilistas investiram principalmente na renda laise, e também se apostou em outros tipos, como o Laço de Ilhó e a renda guipure, também apareceram bordados típicos, além de aplicações em 3D, algo que remete diretamente à atmosfera do interior, ao encanto com os enfeites nos tecidos, e à própria magia que todo o cenário propõe.

Pó de Arroz
Pó de Arroz

Princesas de Lampião

Os vestidos de noiva princesa foram o carro-chefe da coleção, uma silhueta que evoca o lado mais tradicional dos casamentos. Com a cintura marcada e saias com volume, as estilistas se dedicaram a deixá-losmais originais por meio dos corpetes. Estruturas mais rígidas e muitas texturas, com decotes que jogam com a inocência da noiva do interior de outros tempos, foram a tônica. 

Os modelos dessa temporada contam com decotes redondos, decote em V e halter, acompanhados por mangas 3/4 com transparência (com e sem prints), e mangas curtas feitoas com camadas de tule, além de fitas coloridas e até uma capa produzida com renda bordada. Uma verdadeira viagem ao sertão, seus costumes e estilos. 

Pó de Arroz
Pó de Arroz

Acessórios: o triunfo do cordel  

Os acessórios de Sertão Encantado merecem todas as atenções. Com criatividade, as designers trabalharam com referências diretas, e criaram peças que transbordam a energia do lugar. É o caso de releitura dos famosos chapéus dos cangaceiros no formato de coroa para as noivas, para um penteado preso de casamento, ou as tiaras florais, com espécies locais do sertão, e a renda também apareceu nos ornamentos, complementando os véus.

Pó de Arroz
Pó de Arroz

Cores e estampas tradicionais

Os ensaios para o lançamento da coleção foram feitos com equipe de profissionais e também com modelos locais, o que confere às fotos uma autenticidade genuína, e essa característica também está presente nas cores e nas estampas escolhidas para os vestidos. Pó de Arroz se lançou em misturas ousadas de tonalidades, fazendo dos vestidos uma tela, onde foram salpicados detalhes de muitas cores diferentes, mas sempre com delicadeza e graça, algo que aproxima os vestidos de todas as noivas, independentemente do seu estilo, e esse é trunfo de Sertão Encantado.

Corações bordados, aplicações de flores, estampas exclusivas da flora que cresce no solo árido do sertão, e que acrescentam o toque verde à paisagem e, como não poderia faltar: os desenhos de cordel, com cenas do cotidiano sertanejo pintadas nos tecidos.

Pó de Arroz
Pó de Arroz

Ao subir no altar com um dos modelos de vestido de noiva da coleção, impossível não se lembrar dos belos contos da literatura de cordel, um gênero que chegou ao Brasil ao final do século 18, e com uma linguagem própria, rimada, falava sobre cangaceiros e suas amadas, as "princesas" do sertão, belas e fortes e, agora, à caminho do "sim" com um gracioso vestido de Pó de Arroz, onde a tradição do nordeste e o toque contemporâneo da marca se encontram. E, seguindo a linha no traje nupcial, já pode ir pensando em uma música de casamento à altura da coleção, que tal um belo forró romântico ou um xaxado para dançar a dois?