Bárbara Vale Fotógrafa
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É curioso como pouco se sabe dos rituais dos povos originários do Brasil. Com os rituais de casamento indígenas não é diferente. Em parte, esse desconhecimento acontece por hoje haver poucos deles na nossa sociedade, e em outra, por serem tão diversificadas as culturas e a organizações sociais entre as comunidades. Ainda assim, é interessante nos debruçarmos minimamente sobre alguns ensinamentos sobre o amor e a formação de uma nova família e como eles são cultuados entre os povos. Identificar algumas características em comum entre eles é a missão deste artigo, que de forma alguma conseguirá dar conta da extensão e complexidade desses preceitos ancestrais. Esta é uma tentativa de mostrar que a busca pela felicidade e propósito de vida não destoa tanto como imaginamos.  

Religiosidade aflorada, sentimento de pertencimento à comunidade e o valor às tradições são alguns dos denominadores em comum entre as uniões indígenas, assim como acontece na cultura do homem branco. Legal, né? Vem com a gente conhecer mais sobre os rituais de casamento indígenas.

Sabiá Laranjeira
Sabiá Laranjeira

Cada povo, um pensamento

Cada cultura e crença religiosa possui um rito matrimonial diferente. Logo, os costumes variam entre cada comunidade que, na maioria esmagadora das vezes, é monogâmica. Entre as regras de destoam entre elas está a permissão ou não para que seus membros se casem com pessoas que não são indígenas e a realização de casamentos em igrejas, desde que seja realizada cerimônia exclusiva entre eles em outro momento.

Quando o pajé ou cacique são de idade muito avançada, o pensamento de que a união só deve ocorrer entre indígenas é corrente. Mas seja qual for a ideia vigente sobre o tipo de arranjo mais apropriado, há nele sempre a intenção de fortalecimento e perpetuação da cultura local. 

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Celebrante da união

Entre as semelhanças do casamento indígena aos da Igreja Católica está a presença de um celebrante que também é líder espiritual. A cerimônia costuma acontecer ao ar livre, sendo celebrada pelos anciãos e possui duração maior do que casamentos da cultura do homem branco, não se resumindo a um único dia.

Trata-se de um rito com muito misticismo envolvido. Por isso, a festa é repleta de música e danças típicas, envolvendo todos os membros da comunidade em volta do casal de noivos. Em tribos como a dos kaiowas ou dos tamoios, os anciãos preparam para o grande dia uma resina colorida para ser aplicada nos braços da noiva. Isto serve para simbolizar a passagem para esse novo momento da vida dela.

Bárbara Vale Fotógrafa
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Preparativos do casamento

Por envolver todos os membros da sociedade daquela cultura, não raro os casamentos são comunitários, envolvendo mais de um jovem casal disposto a gerar descendentes. São realizadas pinturas corporais (feitas com urucum, barro e argila, por exemplo) ao invés da maquiagem, embora existam noivas que usem os dois.

O uso de cocar é algo bem presente também, assim como o de muitos artesanatos fabricados por eles mesmos. Também é importante saber que, em linhas gerais, homens e mulheres só são liberados para casar após passarem por rituais que comprovam a entrada na vida adulta. E é relativamente costumeiro que a união aconteça por iniciativa dos pais da noiva.

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Limpeza espiritual

Não só os casais precisam tomar algumas providências antes do arranjo matrimonial. O pajé tem de benzer o local onde ele será feito para purificar as almas, espantar os maus espíritos e fortalecer a união entre os casais. Para isso, usa incenso de ervas e entoa palavras na língua ancestral. Há um tom solene e sagrado que é enxergado por todos no grande dia em respeito a decisão dos noivos de formarem uma família.

Atenção à linguagem!

Por respeito, é importante lamais usar palavras “índio” e “tribo”. Esta segunda é lida por parte dos indígenas como algo pejorativo por dar ideia de não serem civilizados. 

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Os rituais de casamento indígena acabam por evidenciar a riqueza cultural dos povos originários. Serve para reafirmar a conexão com o sagrado e em afirmar diante dele o compromisso em promover o bem-estar do par, com a anuência do coletivo, que é bem atuante em toda a comemoração. O que só mostra que temos muito mais em comum com eles do que podemos imaginar. Logo, o exercício da empatia com os preceitos desses rituais do casamento indígena não é tão difícil.