Quando pensamos em casamento, vem em mente como será a cerimônia, o vestido de noiva, quem serão os convidados e fornecedores, tudo para ser um dia incrível. Mas, tão importante quanto organizar a comemoração, é refletir sobre o que acontece depois da festa e da lua de mel. A convivência a dois é um desafio positivo, igual decidir a decoração do casamento, mas só se houver parceria, cumplicidade, respeito e amor.

Pode parecer clichê, mas isso tudo precisa ser cultivado dia após dia, porque um casal é composto por duas pessoas com qualidades e defeitos, experiências, frustrações e alegrias, e cada pessoa carrega bagagens individuais de antes do "sim", por isso é importante saber como a pessoa com quem irão compartilhar novas aventuras prefere viver a vida a dois, a rotina de casados, e existem muitas formas, entre elas... um casamento por tempo parcial.

Depois do "sim, eu aceito"

Imaginar o que escrever no convite de casamento é uma tarefa prazerosa, e assim como decidiram o texto juntos, também devem se sentar para conversar sobre o futuro e decidir os próximos passos juntos. Falar sobre o que cada um quer conquistar e o que espera dessa união são atitudes importantes para que o amor prevaleça da maneira mais leve e honesta possível.

Todos sabem que no casamento tradicional o casal mora junto, divide a rotina e os afazeres da casa, bem como a responsabilidade de manter o lar. Porém, há um outro tipo de casamento chamado part-time marriage (casamento por tempo parcial, em português) que consiste em recuperar ou manter o espírito de quando o casal namorava e não morava junto, ou seja, os dois moram em casas separadas e se encontram em alguns dias da semana ou todos os dias, mas cada um tem seu próprio canto.

Não confundamos o conceito...

Isso não quer dizer que seja um relacionamento aberto, necessariamente. Muitos casais adeptos a esse modelo de casamento prezam pela fidelidade e desejam conservar o compromisso mútuo. Portanto, o cerne da questão é o diálogo. Os dois precisam conversar sobre as razões de não morarem juntos o tempo todo, como administrar isso e quais serão os limites. É fundamental não confundir comunicação com controle.

Por isso, a confiança neste caso é de extrema importância, principalmente se um dos motivos for não cair na rotina e na monotonia e sim, sentir saudade, planejar surpresas e respeitar a liberdade e a individualidade. Claro que morando junto vocês podem ter isso tudo, mas alguns casais preferem ainda passar alguns dias em casas separadas, com suas próprias coisas e manias. São como os noivinhos para bolo de casamento que estão juntos no topo, mas cada um quer o seu próprio pedaço, seu espaço sozinho, sem deixar de dividir momentos.

Exemplos de Hollywood e do Brasil

O casamento por tempo parcial está cada vez mais comum em Hollywood, nos Estados Unidos. Lá, alguns famosos aderiram ao estilo de estarem juntos, porém, cada um na sua casa. Como é o caso da atriz Gwyneth Paltrow e seu marido Brad Falchuk que vivem em casas separadas e se encontram quatro noites por semana. Cada casal trata a situação da melhor maneira para os dois. Definir os dias da semana ou deixar isso livre, revezar entre as moradias, passar o dia e despedir-se à noite ou vice-versa. Há ainda aqueles que preferem morar no mesmo lar, mas terem quartos e banheiros distintos, por exemplo, porque também depende da situação econômica.

Sem contar os que têm rotinas e preferências muito diferentes, mas querem estar casados porque fazem bem um ao outro. Um exemplo conhecido no Brasil é o do casamento da atriz Totia Meireles e do médico Jaime Rabacov que estão juntos há 26 anos. Ela mora no Rio de Janeiro por causa do trabalho em novelas e ele adora morar em um sítio. Totia conta em entrevistas que esse tipo de relacionamento requer muita conversa e cumplicidade, além de respeitar o sonho do outro, mesmo se isso custar um vai-e-vem periódico. Não basta olhar o álbum do casamento e ficar satisfeita com as fotos do vestido de noiva, tomar essa decisão também é necessária para não ter arrependimentos.

Juntos, mas não misturados

Esta modalidade de casamento é mais comum em segundos ou terceiros casamentos, nos quais há filhos de matrimônios anteriores e o novo casal não quer misturá-los. Mas o motivo mais natural é evitar os conflitos da própria convivência e acabar caindo em uma rotina desgastante. Não quer dizer que esse tipo de casamento é a solução para os problemas do casal, mas muitos encontraram nessa opção uma maneira de manter uma relação saudável, tentando fazer com que mais espaço deixe os dois mais unidos. 

Para ter uma vida a dois saudável é melhor não colocar no outro a responsabilidade de nos fazer felizes. Todas as decisões sobre o enlace, desde a escolha do sabor do bolo do casamento até o estilo de vida que vão levar, devem ser em comum acordo. Cada casal saberá como lidar com suas questões, e é válido respeitar aqueles que escolhem esse estilo de vida porque cada história de amor é única, então não julgar e respeitar a escolha das pessoas sempre é o melhor caminho para compreender as relações humanas, mesmo se forem diferentes das suas ou fora do convencional, porque nem tudo funciona para todos!