7 Poemas de Carlos Drummond de Andrade para inspirar os votos
Considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX, Carlos Drummond de Andrade é uma referência na literatura. Com certeza, muitos de seus poemas podem servir como inspiração para escrever os votos e abrir o coração para o amor de sua vida.
Enquanto organizam a cerimônia, as emoções afloradas são o momento perfeito para botar para fora tudo o que se sente. Ou pelo menos deveria ser. Nem sempre a enxurrada de sentimentos é simples para ser expressa em palavras. Quando isto ocorre, recorrer aos mestres das palavras é um atalho que não enfrenta julgamentos. Isto, sobretudo, se for um poema de Carlos Drummond de Andrade, a quem dedicamos este artigo com dicas de algumas de suas pérolas.
Índice de conteúdo
- Como escrever os votos?
- Obra de Carlos Drummond de Andrade
- Poemas que instigam o amor
- Poemas em sentido figurado
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Como escrever os votos?
No momento de colocar no papel o que se sente, é comum os pares perceberem que a missão não é tão fácil. O ideal é procurar um local tranquilo, se possível até com uma música romântica do casamento ao fundo como inspiração. Escreva com o seu estilo de ser e de se expressar para que a leitura dos votos fique natural. Façam em separado e não mostrem para o outro, a fim de não estragar a surpresa, ainda mais se acrescentem um poema sobre o casamento.
Obra de Carlos Drummond de Andrade
Graças ao seu olhar sensível, o mineiro Carlos Drummond de Andrade escreve de forma profunda e muitas vezes melancólica sobre os sentimentos humanos. Por isso, seus textos são reconhecidamente intensos e de fácil identificação para quem ama. Neles, o autor explora desde o desejo e a paixão até a ausência, o desencanto e a saudade. Drummond fala do amor com sinceridade, sem idealizações, revelando suas contradições, incertezas e intensidades.
Poemas que instigam o amor
Mesmo numa cerimônia simples é possível priorizar elementos românticos, como poema para casamento. Uma playlist com músicas instrumentais de casamento funcionam como elemento de fundo perfeito para que os votos sejam mais doces, sem receio de destacar a sua afeição e expor em público o quanto valorizam um ao outro. Andrade consegue isso de maneira magistral nos textos abaixo.
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.
Ao Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Para Viver um Grande Amor
É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto... para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada.
Amar se aprende amando
O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.
"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
Amar
Que pode uma criatura senão,
Entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar,
Amar, desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal, senão
Rodar também, e amar?
Amar o que o mar traz à praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
O que é entrega ou adoração expectante,
E amar o inóspito, o áspero,
Um vaso sem flor, um chão de ferro,
E o peito inerte, e a rua vista em sonho,
E uma ave de rapina.
Este o nosso destino: Amor sem conta,
Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
Doação ilimitada a uma completa ingratidão,
E na concha vazia do amor à procura medrosa,
Paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
E na secura nossa, amar a água implícita,
E o beijo tácito, e a sede infinita.
Poemas em sentido figurado
Há casais que preferem não expor demasiadamente e preferem votos mais curtos e reservados. Se esse é o caso de vocês, há formas de dizer o mesmo de formas diferentes. Destacando uma pequena frase simbólica aos dois, somente o casal saberá a que estão se referindo. Para isso recorram a trechos que deixem no ar seu propósito sem estar claramente exposto. Drummond sabe disso, sendo mestre no sentido figurado. Recorrer a ele também é saber que casamento é poesia de afetos.
Amor e seu tempo
Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde.
Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Fazer uma viagem nos textos inspirados dará uma “luz” para seus votos na cerimônia: nas plaquinhas, nos cartões de agradecimento ou nos convites de casamento. Inspirem-se com cada poema de Carlos Drummond de Andrade para viver intensamente a celebração do amor sem receio. Não há vergonha em recorrer a quem fez de ofício registrar aquilo que não é palpável.
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