Casa de Petrópolis
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O desejado final feliz é uma das temáticas mais retratadas em filmes, séries e livros de romance, que, na maioria das vezes, mostram um amor idealizado ainda que existam desafios no decorrer das histórias – para tornar a experiência do expectador mais emocionante. A ideia de uma “metade da laranja” compreende a representação de casais que se encontram, se apaixonam, se complementam e vivem felizes para sempre, porém, esse conceito está distante da realidade na qual as relações acontecem de formas distintas, e são muito mais complexas. 

Por isso é importante entender e refletir sobre o que se quer e se espera de um relacionamento amoroso sem se prender a mitos e crenças que podem ser ilusórias. Você busca um complemento em alguém ou se sente completo para compartilhar a vida com o outro? Conversamos com uma psicóloga para nos ajudar melhor com essa questão.  

Schmitz Fotografia
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A metade da laranja

O mito da metade da laranja se refere ao pensamento de que uma pessoa se completará quando encontrar a sua metade, ou seja, que um membro do casal precisa necessariamente do outro para se sentir completo. Nesse sentido, a ideia questiona a capacidade de ser um indivíduo autônomo, e pode até colocar o outro em uma situação delicada: a de que precisa preencher um vazio ou atender às todas as expectativa que se espera dele.

De acordo com a psicóloga Aline Beatriz Guimarães, somos indivíduos diferentes em todos os sentidos. “Cada pessoa vem com a sua história, com uma bagagem que só pertence a ela e a mais ninguém. Ser diferente e entender essa diferença é o que completa as relações”, destaca. É fundamental manter o romantismo nas relações (de formas diferentes para cada casal), mas é importante acreditar, racionalmente, que a complementaridade perfeita não existe, cada pessoa já é um ser completo, e outro, a sua "alma gêmea", vem para acrescentar o que tem de melhor.

Theo Barros Fotografia
Theo Barros Fotografia

As consequências

Aline Beatriz Guimarães acredita que a busca incessante por alguém idealizado pode virar frustração, ansiedade e até uma depressão, pois as pessoas acabam se relacionando apenas com o intuito de encontrar alguém perfeito que não existe, o que pode acabar em um adoecimento por não encontrar a alma gêmea. “Essa busca vira uma obsessão de querer que o(a) parceiro(a) seja igual a si mesmo. Vejo isso muito dentro do consultório, quando os casais reclamam que o companheiro não muda nisso ou naquilo. Sempre digo que cada um tem a sua essência, e que essa essência é importante para a construção de si mesmo”, relata a profissional. 

Ela ressalta que não podemos exigir que o outro mude por nós. “É até perigoso, pois quando exigimos isso para estar com alguém, podemos levar essa pessoa a adoecer, porque se torna um ser que não é por causa do outro”, completa.

Outra situação delicada que se baseia nessa "metade da laranja" é procurar uma pessoa que tenha exatamente o que você não tem. Isso pode provocar estagnação em vez de se desafiar a desenvolver o que "falta" e evoluir. Por exemplo, pessoas que são introvertidas e procuram um(a) parceiro(a) extrovertido podem demorar ou jamais chegar a desenvolver um lado mais sociável por comodismo, o que pode gerar desgaste na relação ao longo do tempo. É possível contar com o outro para aprimorar comportamentos que estavam adormecidos, ou até para fazer mudanças positivas, mas sem tornar-se dependente da pessoa que está ao lado ou enxergá-la como a salvação. 

A laranja completa

O caminho mais saudável é almejar ser a "laranja inteira". Os casais não são perfeitos, mas são formados por pessoas com características próprias, muitas delas em comum, que negociam, comunicam e se adaptam quando necessário, ou seja, reconhecem os aspectos que se opõem e os colocam a serviço de uma relação madura e saudável.

“Cada indivíduo é único e as relações entre eles são importantes para a convivência. Ter comportamentos diferentes é normal e até faz bem para as relações no sentido de complementar a união. O melhor conselho que posso dar é simples: sejam parceiros, companheiros e, principalmente, amigos. É a melhor forma de se completarem. Se comuniquem, conversem, ajustem as velas quando não estiverem mais juntas”, aconselha a psicóloga.

Ricardo Jayme
Ricardo Jayme

O romantismo pode e deve prevalecer nos relacionamentos amorosos, mas fundamentar certos conceitos vale a pena para que o amor seja também saudável. Cada pessoa é um ser humano completo e não precisa do outro para ser feliz, mas colocar alguém nessa equação irá tornar ainda maior essa felicidade, desde que ambos(as) saibam conviver com o melhor e também com os defeitos do seu par. É possível ser feliz por conta própria e também querer dividir esse sentimento com alguém especial.