O casamento de Cláudio e Danielle em Guarulhos, São Paulo
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C&D
09 Set, 2018A crônica do seu casamento
Antes de me casar eu tinha programado escrever outro tipo de crônica com mais humor, mas diante de tudo que passamos nos preparativos do nosso casamento resolvi desabafar. Logo que anunciamosnossa data, meu pai foi diagnosticado com câncer de pulmão. Ficamos naquela indecisão, cancela ou não cancela, pois embora eu acreditasse muito que ele ainda pudesse entrar comigo até o altar não sabíamos como ele reagiria aos tratamentos. No começo da radioterapia ele ficou muito ruim, fraco de cadeira de rodas e dependente de oxigênio. E o pouco tempo que eu tinha para ir atrás da organização de casamento, eu dividida entre meu trabalho e a dedicação de acompanhar meu pai. Quanto a parte financeira também não estava nada fácil, casar depois dos 30 já não tem tanta ajuda dos pais. O show acabou! A empresa do meu noivo faliu e ele ainda tinha que pagar pensão para o filho do antigo casamento. Mas aos trancos e barrancos tudo foi caminhando, já sabia algumas coisas que queria pois há 3 anos pesquisava sobre casamento é que o sonho sempre era adiado por algum motivo. A doença que acometeu meu pai quase foi outro, mas muito pelo contrário, justamente por isso eu queria até antecipar pois se meu pai não entrasse comigo não haveria casamento nem em outra circunstância. Muitos dos fornecedores que já tinha em mente tive que mudar e pensar no plano B, C e etc. Uns tinham inflacionário demais nessa indústria do casamento. Outros, a empresa não existia mais, alguns não tinham mais a data disponível e por incrível que parece a maioria não respondia minhas mensagens. Eu também gosto de complicar, queria docinhos bem específicos e o que tinha em um não tinha em outro. Estava perdida em relação ao bolo e decoração, então confiei na indicação da assessora. Quinze dias para dia 18/08/18 data escolhida com aliança, lembrancinhas e convite impresso e entregue, foi quando recebemos uma notícia muito ruim; um falecimento em família. Não, não foi meu pai. Mas minha cunhada (a irmã do noivo se suicidou) foi uma tristeza ser igual. Minha sogra e minha sobrinha de 10 anos ficaram sem chão e então mais uma vez cancelamos o casamento, mas já estava quase tudo pago e não era justo comigo cancelar novamente. Setembro é o mês mais procurado e os fornecedores já não tinham nenhum sábado, não queria deixar muito pra frente pois meu pai estava terminando a quimioterapia e no meio desse mês voltaria à fazer radio, portanto não saberia como tudo transcorreria depois disso eu tinha pressa. Mudamos para 09/09/18 exatamente 4 anos depois do nosso primeiro casamento em Las Vegas, ou seja 2 semanas depois da lua de mel que estava paga. A viagem foi ótima, mas impediu de continuarmos na organização do evento. Voltamos e o vestido não estava pronto, foi aí que descobri que o costureiro tinha síndrome do pânico e ficava muitos dias sem trabalhar então quem entrou em pânico fui eu. Em 2 semanas contratamos o dj e minha mãe quis presentear com a banda da festa, ele ofereceu um violinista mas eu fazia muita questão que fosse violino elétrico e contratei à parte. Depois de ficar horas escolhendo cada docinho para fechar contrato já em cima da hora (parece fácil mas dá trabalho) a boleira fala que não sabia que era longe e teria um acréscimo no valor, achei um absurdo e falei em fechar só o bolo com ela mas a mesma se recusou. Bom, uma semana para a festa e eu não tinha bolo. No cabelereiro conheci uma senhora que dizia trabalhar 20 anos nesse mercado, mostrou as fotos dos seus trabalhos e degustei um pedaço que levou para homem que fazia as luzes no meu cabelo. Fechei na hora. 3 dias antes o fotógrafo me liga dizendo que minha assessora entrou em contato com ele mas não estava sabendo de nada, eu havia mandado pelo Whatsapp o contrato assinado e pago a primeira parte mas ele disse que não viu. Fiquei louca da vida, pedi o dinheiro de volta e pedi para meu noivo contratar um fotógrafo de corrida que conhecíamos. Na véspera do grande dia tive uma discussão horrorosa com minha mãe, ela não comunicou a banda que eu tinha contratado outro músico para a festa e me culpou. Fiquei com muita raiva e acordei muito triste, com a presença dos meus amados sobrinhos foi passando. De manhã fui ao local e o decorador não trouxe o que havíamos combinado, saí de lá para não me estressar mais. Enquanto eu me vestia soube que tinha acabado a luz, portanto o violinista não estava tocando o tão esperado violino elétrico. Com 1hora e meia de atraso o músico me aparece dizendo que trouxe o violino acústico e se não poderia tocá-lo ao invés do outro, não me conformei, se ele trouxe o outro porque não tocou nesse tempo todo? No meio da nossa conversa, mudando algumas músicas que ele dizia não dar para tocar ser um fundo alguém chegou dizendo que a luz voltou. Ok, achei que tudo voltaria ao normal e ele tocaria o elétrico como combinado, só que não. Ele tocou o acústico sem base as músicas que bem entendeu, pivô da briga com minha mãe. No dia seguinte fiquei sabendo que minha assessora, aquela que deveria me ajudar passou para a empresa o cronograma de casamento de outro casal e foi por isso que o violinista sem ter preparado minha playlist tocou como a Vanusa cantou o hino nacional (Ele tentou dar o seu melhor no improviso).
Continuar lendo »Durante a festa, nem banda nem dj tocaram as músicas que eles mesmo me pediram para escolher, o fotógrafo de corrida que escolhi para tirar fotos espontâneas ficou o tempo todo pedindo para fazermos pose, e lembra do bolo? Se destroçou todinho e a tentativa de conserto foi longe de ser bem-sucedida. No entanto, diante de todos os que me prejudicaram ela foi a única a se desculpar e não inventar desculpas como os demais fizeram colocando a culpa uns nos outros.
Um dia vou rir disso tudo, hoje acima de tudo e diante de todos os problemas o que mais sinto é gratidão, eu consegui tudo o que mais queria: meu Pai me levou dirigindo, bem, forte, sem cadeira de rodas, desmamado do oxigênio, fez a dança comigo e ficou até o final. Outra grande surpresa foi quando dei o troféu "melhores sobrinhos 2018" e o Matheus de 8 anos chorou emocionado. Nunca rezei à Deus pedindo o casamento perfeito, sempre pensava: "troco tudo para ter meu pai nesse momento tão importante da vida aqui comigo" eu sou a pessoa mais abençoada que conheço e como a temática do nosso casamento de corrida, sou uma campeã!!!
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